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Olhos falantes


Ela falava muito e sabia disso. Ela falava tudo o que vinha à sua cabeça. Nem sempre o que eu queria ouvir, mas sempre o que quis dizer.

Ela falava muito e não apenas com sua boca. Ela sabia também falar com os olhos.

Olhos que passavam a ternura de seu ser. Olhos ingênuos, por vezes preguiçosos. Seus olhos não mentiam. E falavam, mesmo que calados, mais até que as inumeras palavras que ela pronunciava.

E como eu amava a forma como ela olhava pra mim, como eu odiava a forma como ela olhava pra mim. Aquele tom esverdeado a denunciar o quanto ela me amava para todos que a vissem me olhar. Seus olhos brilhavam ao me ver, sorriam para mim.

Aqueles olhos que me endeusavam, admiravam... me observavam enquanto eu dormia, enquanto suas palavras calavam e ala apenas me olhava.

Seus olhos falavam até quando se esquivavam, quando algo a deixava envergonhada.

Essa era outra coisa que eu amava nela. Sua timidez, a forma como se atrapalhava com as tantas palavras que dizia às vezes, e como tentava concertar com mais e mais palavras e expressões, e olhares que procuravam abrigo em qualquer lugar do quarto.

Eu amava aqueles olhos. Olhava a beleza inocente deles. Amava aqueles olhos que me desejavam. Eu odiava aqueles olhos por me desejarem tanto. Eu odiava ter que dizer adeus e vê-los suplicarem calados para que eu não fosse.

Odiava vê-los encher de lágrimas e calar as palavras dela em instantes angustiantes e que pareciam enternos de silêncio. Odiava os olhos dela que não vejo mais. Odiava não poder odiar aqueles olhos, aquelas palavras que sabiam o que dizer quando eu mais precisava, mas que muitas vezes disseram as maiores besteiras em horas inapropriadas.

Eu amava aqueles olhos falantes. Odiava aqueles olhos falantes. Amava eles falarem comigo por horas e horas e adorava quando eu perguntava o que estava fazendo e ela apenas me respondia "Só estou te olhando".

1 comentários:

Gisa Lima 9 de setembro de 2009 00:55  

Ah... os olhares (suspiros), sempre denunciadores.
Já diziam que os olhos são a janela da alma, e com certeza são, um olhar pode penetrar no interior da alma e nos fazer sentir-se despidas.

Lindo post.

Baci nel cuore.

Gi.

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